sexta-feira, 10 de abril de 2015

Absorção de Água pelas Folhas e sua Translocação para o Solo em Ambientes Nebulosos

No ciclo regular de translocação da água em uma planta, ocorre a absorção hídrica através do sistema radicular. O gradiente de potencial hídrico é gerado pela perda de água nas folhas através da transpiração, fazendo com que a água seja absorvida do solo pelas raízes, o que gera uma diferença de tensão no interior dos vasos condutores, fazendo com que a água se movimente em direção às folhas, ou seja, em direção à atmosfera. A transpiração das plantas é responsável por, em média, 16% da umidade do ar, enquanto que aproximadamente 84% dessa umidade atmosférica provém da evaporação dos oceanos (Figura 1), ou seja, nos locais mais distantes do oceano, as plantas são as principais fontes de umidade para a atmosfera (ZOLNERKEVIC, 2013).

Este processo ocorre na maior parte das plantas terrestres encontradas no planeta, entretanto, em algumas situações determinadas plantas se adaptaram às condições climáticas de alta nebulosidade, realizando o processo inverso, transportando água no sentido oposto, ou seja, das folhas até as raízes, fornecendo-a ao solo, como pode ser observado na Figura 1.

Figura 1. Representação do movimento da água nas diferentes condições topográficas (Adaptado de ZOLNERKEVIC, 2013).

ATMOSFERA
Para que ocorra o movimento da água em direção ao solo, primeiramente é necessário que vários fatores estejam em condições favoráveis, entre ela a atmosfera. Dado que a absorção foliar só ocorre quando há deficiência na disponibilidade hídrica do solo, associado com a névoa de florestas tropicais de altitude, a incidência desse fenômeno é restrito há algumas regiões (ELLER; LIMA; OLIVEIRA, 2013). 
As florestas tropicais de altitude, também conhecidas como florestas nebulosas, caracterizam-se por ter frequentemente névoa recobrindo as copas das suas árvores. Essa nebulosidade, em condições adequadas, condensa quando entra em contato com a folha. Estas características, tornam a atmosfera um importante fator para a absorção de água via folhas. Segundo Eller, Lima e Oliveira (2013), as gotículas de água podem influenciar até 42% do teor de água da folha.

PLANTA
A planta se encontrando em condições de nebulosidade, o movimento de água se dará das folhas para o pecíolo, devido ao gradiente de potencial hídrico gerado pela absorção foliar de água (GOLDSMITH, 2013). Até pouco tempo, acreditava-se que este movimento inverso da água era impossível, devido à presença da cutícula, fina camada impermeável que cobre a superfície das folhas, reduzindo intensamente a perda de água, dificultando a absorção de água pelas folhas. Contudo, pesquisas recentes revelaram que foram identificadas aproximadamente 70 espécies que são capazes de realizar a absorção foliar de água (ZOLNERKEVIC, 2013).

Recentemente Eller, Lima e Oliveira (2013) constataram que a água atravessa a cutícula e penetra na folha. Essa descoberta foi feita, utilizando uma espécie lenhosa, encontrada em florestas ombrófilas, através do uso de gotas de água contendo cristais fluorescentes pingadas sobre folhas de casca-de-anta (Drimys brasiliensis), em estufa. Posteriormente, demonstraram que a migração das moléculas de água para o interior da folha ocorria porque os cristais de cera da cutícula são estruturas complexas e dinâmicas, que têm a capacidade de se rearranjar e modificar sua permeabilidade de acordo com a atmosfera sob a qual a planta está exposta, em resposta às mudanças ambientais, que neste caso é a saturação da massa de ar pelo vapor de água. As alterações na cutícula de acordo com o ambiente podem ser observadas nas Figuras 2 e 3.

Figura 2. Diferenças do comportamento da cutícula em ambientes com baixa ou alta umidade do ar e do solo (Fonte: ZOLNERKEVIC, 2013).
Figura 3. Representação da absorção de água pelas folhas, em um corte transversal de uma folha C3.

Além das espécies encontradas em regiões montanhosas e com alta nebulosidade, existem outras espécies que também são capazes de realizar este transporte inverso da água. Li et al. (2014) avaliando a resposta da Tamarix ramosissima (espécie encontrada nas regiões desérticas do noroeste da China), quando exposta a uma atmosfera de alta umidade, constataram que a planta possui a capacidade de realizar a absorção foliar de água quando este órgão apresenta um baixo potencial hídrico.

Atualmente, aceita-se que a água apresenta diferentes possibilidades de translocação dentro da planta (Figura 4). A água movimenta-se de um local com maior potencial hídrico (solo), para um local com menor potencial hídrico (atmosfera), este seria o chamado movimento regular da água (Figura 4a). A situação apresentada na Figura 4b, demonstra que o caule é a região com o menor potencial hídrico, dessa forma, ocorre o fluxo regular da água, das raízes até o caule, em conjunto com o fluxo inverso, onde a água adentra a folha e é transportada até o ponto de menor potencial hídrico (caule). Quando o sistema com o menor potencial hídrico for o solo, a água será ser transportada de forma inversa através de toda a planta, ou seja, ocorrerá a absorção foliar e, em seguida, seu transporte através do xilema até ser liberada no solo (Figura 4b). No solo, a água pode percolar até um corpo hídrico próximo (lençol freático) ou permanecer disponível para a planta, caso surja a necessidade de ser reabsorvida, o que pode ocorrer, em caso de alteração no sentido do gradiente de potencial hídrico (ELLER et al., 2013; GOLDSMITH, 2013).

Figura 4. Comparação entre as diferentes possibilidades de movimentação da água no sistema solo-planta-atmosfera (Fonte: GOLDSMITH, 2013).

SOLO
As plantas que transportam água da atmosfera para o solo, através de suas raízes, e também aquelas que redistribuem por meio destas segundo Neumann e Cardon (2012), conseguem atingir grandes profundidades, minimizando a evaporação e, portanto, disponibilizando por mais tempo água para as raízes. Este mecanismo favorece a absorção dos nutrientes por estas plantas e contribui para sobrevivência de organismos e microrganismos que habitam este local.
Prieto, Armas e Pugnaire (2012) relataram em suas conclusões que os benefícios que a planta possui são provenientes da umidade do solo, que favorece o crescimento e o desenvolvimento radicular, a decomposição da matéria orgânica, e consequentemente a ciclagem de nutrientes. A textura é a característica do solo que melhor indica a quantidade de água a ser retida e dispobilizada à planta, bem como a quantidade a ser cedida pela planta ao solo. O teor de água no solo afetará diretamente a disponibilização e absorção de nutrientes pelas plantas.
 A pesquisa de Eller, Lima e Oliveira (2013) indica que solos secos de ambientes de floresta tropical montana nebular, devido à baixa precipitação durante determinadas épocas do ano, induziram a D. brasilienses a se adaptar e fazer o transporte inverso da água, quando de alta umidade no ar. Dessa forma, essa planta contribui diretamente para a redistribuição hídrica no solo, diminuindo seu déficit hídrico.

EFEITO AMBIENTAL DO TRANSPORTE INVERSO
Esse transporte de água tem a capacidade de gerar efeitos tanto sobre a própria planta, quanto sobre o ambiente em que ela se localiza.
Um dos efeitos estudados, na Serra da Mantiqueira (SP) foi a formação de nascentes, onde alguns pesquisadores observaram a existência de um riacho que nascia a cerca de 2 mil metros de altitude, onde se localizavam árvores características dessa região, sendo elas de pequeno porte e com as folhas pequenas. Essa vegetação tem a capacidade de reter a umidade através da condensação do vapor d’água em suas folhas e do seu escorrimento para o solo, sendo que 30% do volume dos rios dessa região são abastecidos desta forma. Entretanto, foi descoberto que parte dessa água da neblina retorna ao solo por dentro das árvores, de modo que, estudos comprovaram que as plantas desses locais têm a capacidade de absorver a água da superfície foliar, processo que ocorre da forma que foi discutida anteriormente (ZOLNERKEVIC, 2013).

CONCLUSÕES
Com base em todas as informações estudadas, podemos concluir que o principal fator que possibilita o transporte inverso da água, é o gradiente de potencial hídrico existente entre o sistema solo-planta-atmosfera, sendo que a atmosfera deve possuir condição de nebulosidade ou saturação de umidade, e o solo apresentar déficit hídrico, por falta de precipitação.
Observamos também que a morfologia e fisiologia de tais plantas, foram se adaptando para manter sua sobrevivência em condições de falta de água no solo, disponibilizando água para este, favorecendo a biota local e influenciando positivamente o regime dos cursos hídricos.

REFERÊNCIAS
ELLER, C.B.; LIMA, A.L.; OLIVEIRA, R.S. Foliar uptake of fog water and transport belowground alleviates drought effects in the cloud forest tree species, Drimys brasiliensis (Winteraceae). New Phytologist, Cambridge, v. 199, n. 1, p. 151–162, jul. 2013.
GOLDSMITH, G. R. Changing directions: the atmosphere–plant–soil continuum. New Phytologist, Cambridge, v. 199, n. 1, p. 4–6, jul. 2013.
LI, S.; XIAO, H.; ZHAO, L.; ZHOU, M.; WANG, F. Foliar Water Uptake of Tamarix ramosissima from an Atmosphere of High Humidity. The Scientific World Journal, v. 2014, 10 p, 2014.
NEUMANN, R.B.; CARDON, Z.G. The magnitude of hydraulic redistribution by plant roots: a review and synthesis of empirical and modeling studies. New Phytologist, Cambridge, v. 194, n. 2, p. 337–352, abr. 2012.
PRIETO, I.; ARMAS, C.; PUGNAIRE, F. I. Water release through plant roots: new insights into its consequences at the plant and ecosystem level. New Phytologist, Cambridge, v. 193, n. 4, p. 830–841, mar. 2012.
ZOLNERKEVIC, I. Caminho Inverso. Pesquisa FAPESP, São Paulo, ed. 208, jun. 2013.

AUTORES: Jessé Neves dos Santos, Luane Bosetto e Luiza Konrad Zastrutzki.
ORIENTAÇÃO: Silvana Ohse.

domingo, 28 de setembro de 2014

Respiração: Cadeia Transportadora de Elétrons

A cadeia respiratória ocorre nas cristas da membrana interna da mitocôndria, localizada entre o espaço intermembrana e a matriz mitocondrial. Este processo é composto por complexos proteicos denominados: Complexo I - NADH Desidrogenase, Complexo II - Succinato Desidrogenase, Complexo III - Citocromo bc1, Complexo IV - Citocromo Oxidase (Cit. Oxidase), as NAD(P)H Desidrogenases, Complexo V -ATP sintase e a Proteína Desacopladora de Elétrons (UCP). Além das proteínas móveis Ubiquinona (UQ) e Citocromo c (Cit. c).


A cadeia respiratória se inicia com a oxidação das moléculas de NADH, FADH2 mitocondriais, além dos NADHs e NAD(P)Hs citoplasmáticos. O transporte de elétrons através dos complexos I, III e IV geram acúmulo de prótons no Espaço Intermembrana, de acordo com a molécula que inicia o processo. O NADH mitocondrial e o FADH2 são oriundos do Ciclo de Krebs, o NADH citoplasmático provém da Glicólise e o NAD(P)H da rota das pentoses fosfato.

NADH mitocondrial
A molécula de NADH mitocondrial é oxidada no complexo I, o qual é reduzido ao receber os 2 elétrons do NADH. O complexo I ao ser oxidado pela Ubiquinona transfere 4 prótons da Matriz Mitocondrial para o Espaço Intermembrana.
A Ubiquinona é reduzida e transporta os elétrons para o Complexo III, onde ocorre sua oxidação. Então o Cit. c se desloca até o Complexo III oxidando-o e sendo reduzida por estes 2 elétrons. Quando o Complexo III é oxidado ocorre a transferência de 4 prótons (H+) da Matriz Mitocondrial para o Espaço Intermembrana.
O Cit. c em sua forma reduzida se desloca até o Complexo IV, onde será oxidada e o Complexo reduzido. Neste complexo, o par de elétrons será ligado a dois prótons e meia molécula de O2 provenientes da Matriz mitocondrial, formando uma molécula de H2O. Dessa forma, o Complexo IV irá transferir somente 2 Prótons da Matriz Mitocondrial para o Espaço Intermembrana.
A oxidação dos NADHs mitocondriais geram um acúmulo de 10 Prótons no Espaço Intermembrana, os quais serão transferidos de volta para a Matriz Mitocondrial através das ATPsintases e das proteínas desacopladoras de elétrons. Para que haja a síntese de 1 ATP é necessário o transporte de 4 H+, sendo 3 pela ATPsintase e 1 pela UCP, assim, a oxidação dos NADHs mitocondriais geram o acúmulo de 10 H+ no Espaço Intermembrana e a síntese de 2,5 ATPs.

NADH citoplasmático
   Os NADHs provenientes do citoplasma (glicólise) são oxidados nas NAD(P)Hs Desidrogenases periféricas, localizadas entre os Complexos I e II no lado voltado para o Espaço Intermembrana. A NAD(P)H Desidrogenase reduzida (pelos 2 elétrons oriundos da oxidação do NADH glicolítico) irá ser oxidada pela Ubiquinona (UQ). A UQ reduzida se deslocar até o Complexo III, momento em que será oxidada.
   O Complexo III quando oxidado pelo Cit. c irá transferir 4 prótons da Matriz Mitocondrial para o Espaço Intermembrana. Cit. c reduzindo irá se deslocar até o Complexo IV, reduzindo-o e retornando a sua forma oxidada. OComplexo IV irá unir estes 2 elétrons a 2 prótons provenientes da Matriz mitocondrial, reduzindo meia molécula de O2 a H2O. Sendo assim, o oxigênio é o aceptor final de elétrons da cadeia respiratória.
   A Oxidação de 1 NADH glicolítico leva ao acúmulo de 6 prótons no Espaço Intermembrana, sendo 4 no pelo Complexo III e 2 pelo Complexo IV. Os prótons serão transferidos de volta para a Matriz Mitocondrial através das ATPsintases e das proteínas desacopladoras de elétrons. Como para que haja a síntese de 1 ATP é necessário o transporte de 4 H+, sendo 3 pela ATPsintase e 1 pela UCP, a oxidação dos NADHs glicolíticos geram o acúmulo de 6 H+ no Espaço Intermembrana e a síntese de 1,5 ATPs, devido ao consumo de 4 H+ por ATP sintetizado.

FADH2
A oxidação da molécula de FADH2 ocorre no Complexo II - Succinato Desidrogenase, libera uma molécula de FAD+ na Matriz Mitocondrial e os 2 elétrons reduzem este complexo. O Complexo II será oxidado pela ubiquinona, a qual será reduzida e irá transferir este par elétrons para o Complexo III. O Cit. C, proteína móvel entre o Complexo III e IV, irá oxidar o complexo III e reduzir o Complexo IV (via transferência do par de elétrons). Quando o Complexo III doa o par de elétrons ao Cit. C, transfere também 4 H+ para o Espaço Intermembranas. O Complexo IV une os 2 elétrons a 2 H+, reduzindo oxigênio a água, transferindo 2 H+ da Matriz Mitocondrial para o Espaço Intermembranas.
A Oxidação de 1 FADH2 leva ao acúmulo de 6 prótons no Espaço Intermembrana, sendo 4 no pelo Complexo III e 2 pelo Complexo IV. Os prótons serão transferidos de volta para a Matriz Mitocondrial através das ATPsintases e das proteínas desacopladoras de elétrons. Como para que haja a síntese de 1 ATP é necessário o transporte de 4 H+, sendo 3 pela ATPsintase e 1 pela UCP, a oxidação dos FADH2 geram o acúmulo de 6 H+ no Espaço Intermembrana e a síntese de 1,5 ATPs, devido ao consumo de 4 H+ por ATP sintetizado.

Oxidase alternativa
                A Ubiquinona pode também transferir os elétrons para uma oxidase alternativa, reduzindo nesta proteína meia molécula de O2 a H2O. Dessa forma, há o acúmulo de 4 prótons no Espaço Intermembrana ocorrendo a síntese de 1 ATP. Esta rota alternativa é utilizada quando já cessou o crescimento da planta, e ela precisa de ATP apenas para completar seu ciclo de vida, ou quando da ação de algum fator adverso.

Observe a representação geral da cadeia respiratória (Taiz & Zeiger, 2013):

Para o melhor entendimento assista o vídeo abaixo:


* Mais informações: “Links Interessantes”.

* Outras etapas da Respiração:

Autor: Jessé Neves dos Santos
Orientação: Profª Dr. Silvana Ohse

Respiração: Ciclo de Krebs

Nesta etapa da respiração, também chamada de Ciclo dos Ácidos Tricarboxílicos, o piruvato é completamente oxidado a CO2. Esse processo gera a maior parte do poder redutor (16 NADH + 4 FADH2 por sacarose) oriundo da quebra da sacarose, sendo responsável também pela síntese de esqueletos carbônicos, que podem ser desviados para outras rotas.

Na figura abaixo (Taiz & Zaiger, 2013) pode-se ter uma visão geral do processo:


Veja mais detalhes sobre o Ciclo de Krebs no link abaixo (Alberts et al., 2010):
* Mais informações: “Links Interessantes”.

* Outras etapas da Respiração:
Glicólise (1ª etapa)
Cadeia Transportadora de Elétrons (3ª etapa)

REFERÊNCIAS
ALBERTS, B.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P. 2010. Biologia Molecular da Célula. 5ªed. São Paulo: Artmed, 2010. 1268 p.
KERBAUY, G. B. Fisiologia vegetal. 2ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 431 p.
TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 918 p.

Autora: Luane Bosetto

Respiração: Glicólise

A respiração tem por principais objetivos o fornecimento de energia para a manutenção dos processos metabólicos, além de fornecer esqueletos carbônicos para os processos de divisão e diferenciação celular, através do desvio de tais compostos dos ciclos envolvidos na respiração aeróbica, a qual, é um processo biológico pelo qual compostos orgânicos reduzidos são mobilizados e subsequentemente oxidados de maneira controlada.

A respiração é dividida em 3 etapas: Glicólise, Ciclo de Krebs e Cadeia Respiratória. Na figura abaixo (Taiz & Zeiger, 2013) pode-se ter uma visão geral da respiração:

GLICÓLISE
A respiração dá-se início com a fosforilação de uma hexose (geralmente glicose) no citossol. Na glicólise (glykos: açúcar; lysis: quebra), também chamada de fase citossólica da respiração, a glicólise é parcialmente degradada a piruvato. Esse processo rende uma pequena quantidade de energia como ATP e exerce poder redutor sob a forma do nucleotídeo nicotinamida reduzido, NADH. Observe a figura abaixo (Taiz & Zeiger, 2013):


Veja mais detalhes sobre a glicólise no link abaixo (Alberts et al., 2010):
* Mais informações: “Links Interessantes”.

* Outras etapas da Respiração:
Ciclo de Krebs (2ª etapa)
Cadeia Transportadora de Elétrons (3ª etapa)

REFERÊNCIAS
ALBERTS, B.; JOHNSON, A.; LEWIS, J.; RAFF, M.; ROBERTS, K.; WALTER, P. 2010. Biologia Molecular da Célula. 5ªed. São Paulo: Artmed, 2010. 1268 p.
KERBAUY, G. B. Fisiologia vegetal. 2ªed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2008. 431 p.
TAIZ, L.; ZEIGER, E. Fisiologia vegetal. 5ª ed. Porto Alegre: Artmed, 2013. 918 p.

Autora: Luane Bosetto

sábado, 6 de setembro de 2014

Transporte no Floema

O floema é um tecido vivo responsável pelo transporte de fotoassimilados, principalmente. É composto por esclerênquima (sustentação), parênquima (armazenamento e preenchimento) e pelo complexo Célula Companheira/Elemento de Tubo Crivado (CC/ETC). As principais substâncias transportadas no floema são:

·      Açúcares: sacarose e oligossacarídeos (rafinose, estaquiose e verbascose);
·      D-sorbitol;
·      D-manitol;
·      Aminoácidos (aspartato, glutamato);
·      Amidas (asparagina, glutamina);
·      Fitormônios;
·      Nutrientes.

O principal composto transportado pelo floema é a sacarose, a qual é produzida no mesofilo em plantas C3 e na bainha vascular em plantas C4, sendo carregada no elemento de tubo crivado (ETC) na região da fonte. O aumento da concentração de sacarose no ETC reduz o potencial osmótico (Ψos), reduzindo consequentemente o potencial hídrico (Ψh). Quando o Ψh no ETC da fonte se tornar mais negativo que o Ψh do xilema adjacente (feixe vascular), a água se deslocará do xilema para o floema, aumento o potencial de pressão (Ψp) do ETC. Fato que ocorrerá até a máxima extensibilidade do ETC, momento em que a solução (água+fotoassimilados+nutrientes, etc.) fluirá por fluxo de massa (movimento de moléculas em conjunto a favor de um gradiente de pressão) para o dreno mais próximo através dos ETCs. No dreno os fotoassimilados serão descarregadas do CC/ETC para as células adjacentes, o que aumentará o Ψh do ETC no dreno e, quando este se tornar maior que o Ψh do xilema adjacente a água fluirá para o xilema, reduzindo novamente a pressão no ETC do dreno e, permitindo que o fluxo continue até completa diferenciação do dreno.


Autora: Luane Bosetto
Orientação: Profª Dr. Silvana Ohse

Carregamento do Floema

Existem duas formas de carregamento do floema, por rota simplástica ou apoplástica, a depender da presença ou ausência de plasmodesmos entre o complexo Célula Companheira/Elemento de Tubo Crivado (CC/ETC) e as células adjacentes a este, as quais são as células parenquimáticas do floema (CPF).

ROTA APOPLÁSTICA
Carregamento apoplástico em plantas C3.
Plantas C3
Em plantas C3 a sacarose (S), principal fotoassimilado, é produzida no citoplasma das células do mesofilo, podendo ser transportada por rota simplástica até o complexo Célula Companheira/Elemento de Tubo Crivado (CC/ETC) do floema, ou seja, via plasmodesmos. Neste caso, a célula companheira é também chamada de célula ordinária.
A rota apoplástica ocorre quando a sacarose encontra poucos ou nenhum plasmodesmos entre o complexo CC/ETC e as células adjacentes. Dessa forma, a sacarose advinda do mesofilo por rota simplástica é obrigada a sair para o apoplasto para então ser carregada no CC/ETC. A sacarose sai das células parenquimáticas através de proteínas transportadoras presentes na membrana plasmática destas células por transporte passivo (T.P.), o que ocorre pelo fato de que tal transporte ser a favor do gradiente de concentração. Do apoplasto para o CC/ETC, ou seja, o carregamento do floema, o transporte de sacarose será ativo secundário simporte (T.A.S.S.), uma vez que a sacarose será transportada conjuntamente com um H+ através de proteínas transportadora contra o seu gradiente de concentração, processo que gera o acúmulo do fotossintato no ETC.
OCORRÊNCIA: soja, feijão, trigo, cevada, canola etc.
Plantas C4
Nas plantas C4, o transporte de sacarose e seu carregamento no CC/ETC se dá mesma forma que em plantas C3 quando da presença de poucos ou nenhum plasmodesmos entre o complexo CC/ETC e as células adjacentes. No entanto, o processo inicia nas células da bainha vascular, uma vez que a sacarose, produto final da fotossíntese, só é produzida nestas células, devido à compartimentalização da RUBISCO.
OCORRÊNCIA: milho, cana-de-açúcar etc.
Carregamento apoplástico em plantas C3.

ROTA SIMPLÁSTICA
Carregamento simplástico em plantas C3.
Em plantas C3, a sacarose produzida no citoplasma das células do mesofilo será transportada por rota simplástica até a célula companheira, neste caso, também chamada de célula intermediária, visto que, o complexo CC/ETC encontra-se intimamente ligado às células adjacentes por plasmodesmos. Por essa razão o carregamento será passivo, ou seja, por rota simplástica.
A fim de que as moléculas de sacarose não refluam do complexo ETC/CC para as células adjacentes, elas são reduzidas a oligossacarídeos (maiores que a sacarose), tais como rafinose (sacarose + galactose), estaquiose (sacarose + 2 galactoses) e verbascose (sacarose + 3 galactoses), este processo é denominado “Aprisionamento de Polímeros”. Isto ocorre devido à presença de enzimas específicas, como por exemplo, a rafinose sintase, que catalisam as reduções, o que explica o fato deste processo não ocorrer em células ordinárias, já que nestas células não há tais enzimas.
Em plantas C4, o processo ocorre da mesma maneira, entretanto, inicia-se nas células da bainha vascular.
OCORRÊNCIA: Coleus, melão e abobrinha.

Carregamento simplástico em plantas C3.

Autora: Luane Bosetto
Orientação: Profª Dr. Silvana Ohse

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Absorção Iônica



     As proteínas bombas presentes na plasmalema e no tonoplasto transportam H+ do citoplasma para a parece e suco celular, respectivamente, com gasto de energia, ou seja, ATP, esse transporte é denominado ativo primário. Dessa forma, o resíduo de carga do citoplasma se torna negativo e da parede celular e do suco celular se tornam positivos (ΔEQ).
     Os cátions presentes na parece celular e no suco celular irão adentrar o citoplasma de forma passiva através das proteínas transportadoras, pelo fato de estarem indo a favor do ΔEQ. Os cátions presentes no citoplasma irão para a parede celular ou para o suco celular através do transporte ativo secundário antiporte, devido a parece celular e o suco celular apresentarem resíduo de carga positivo, devido a alta concentração de H+. Dessa forma o H+ se liga a proteína transportadora do lado da parede celular e do suco celular, enquanto o cátion se liga a proteína transportadora do lado do citoplasma, sendo transportados conjuntamente em sentidos contrários.
     Os anions presentes na parede celular e suco celular ao serem transportados pela proteína transportadora para o citoplasma irão se ligar à proteína transportadora do mesmo lado que o H+, sendo transportados conjuntamente no mesmo sentido, transporte chamado de ativo secundário simporte. Todo o ânion presente no citoplasma irá para a parede celular ou para o suco celular de forma passiva, pois vai a favor do gradiente eletroquímico.

Fase Fotoquímica da Fotossíntese

A etapa fotoquímica da fotossíntese (FS) ocorre na membrana no tilacóide, sendo que as proteínas envolvidas no processo são o fotossistema II (FSII), o qual é uma proteína transmembrana composto por um complexo liberador de oxigênio (CLO), pelo centro de reação II (CRII) e pela feofitina (PHEO); a plastoquinona (PQ) que quando carregada com elétrons é convertida em plasthidroquinona (PQH2), a qual é uma proteína móvel; o citocromo B6F (CitB6F); uma segunda proteína móvel denominada plastocianina (PC); o fotossistema I (FSI), que por sua vez é composto pelo centro de reação I (CRI) e várias outras proteínas; a ferrodoxina (FD); e, por fim, a ATP-sintase.
O início da fase fotoquímica da fotossíntese se dá com a fotólise da molécula de água no CLO. Para que haja a liberação de um O2 é necessária a oxidação pela luz de duas moléculas de água, tendo a geração de 4 prótons (H+) e 4 elétrons (e-), sendo que cada um desses e- irá reduzir um átomo de manganês (Mn) presente no CLO e os 4 H+ e o O2 serão liberados no lúmen.
O CRII é formado por aproximadamente 250 clorofilas, sendo a clorofila “a” o pigmento essencial, assim chamado pois somente este composto é capaz de inserir o e- na cadeia transportadora da fase fotoquímica da fotossíntese, está presente em todos os seres fotossintetizantes. A CRII é protegido por um CCL II, o qual é formado por pigmentos acessórios que irão proteger a clorofila “a” da fotoinibição (oxidação pelo excesso de luz), absorvendo formas de radiação com comprimentos de onda mais curtos, ou seja, mais energéticos. A clorofila “a” presente no CRII é a P680, tendo esta recebido o e-, pela oxidação do átomo de Mn, e um fóton de 680nm, irá elevar o e- a nível da PHEO e voltará a forma oxidada para que possa receber outro e-, não sendo necessariamente a mesma molécula de clorofila que irá receber o e-.
Depois que a PHEO for reduzida ela atuará como agente oxidante e transferirá o e- para a PQ, que tem por função a transferência de e- do FSII para o Cit b6f (proteína ferro-enxofre), além da transferência de H+ do estroma para o lúmen. Para que a PQ seja reduzida a PQH2 ela precisa de 2 e- e 2 H+ os 2 H+ (advindos do estroma do cloroplasto), a PQ ficará ligada ao FSII até a sua completa redução, dando origem a PQH2, permitindo que ela se locomova até o Cit b6f, onde ela permanece até a sua completa oxidação.
O Cit b6f precisa de apenas um e- para ser reduzido, sendo assim para que a PQH2 seja oxidada, o Cit b6f, depois de ser reduzido, precisa ser oxidado novamente para receber o outro e-, de modo que a PQH2 possa ser completamente oxidada. Para que o Cit b6f seja oxidado, ele atua como agente redutor sobre a PC, podendo voltar a sua forma oxidada e receber o 2º e-. Depois que a PQH2 é completamente oxidada, ela transfere os 2 H+ utilizados para a sua redução no lúmen no tilacóide, voltando a sua forma original.
A PC (proteína móvel) é reduzida junto ao Cit b6f, e transfere esse e- para o FSI e volta ao Cit b6f para ser reduzida novamente, recebendo o 2º e- e levando-o para o FSI, o qual possui um CRI, que contém uma P700 (clorofila “a”), protegido por um CCL I, da mesma forma que o CRII. A PC irá ser oxidada, tendo poder redutor sobre a P700, do CRI, voltando a sua forma oxidada e irá voltar para o Cit b6f para ser reduzida novamente.
Quando a P700 recebe o e- não há mais energia, sendo assim é necessário a absorção de um fóton de 700nm ou energia por ressonância advinda do CCL I, correspondente a 700nm, de modo que o e- seja elevado a nível da FD, a qual precisa apenas de um e- para ser reduzida, transportando-o para o NADP+, que precisa de 2 e-, sendo assim o 2º e- da cadeia transportadora, também irá receber a energia do fóton de 700nm para ser elevado até a FD, que irá transportar o e- para o NADP+, que será convertido a NADPH, com a adição de mais 1 H+ (advindo do estroma):
2e- + 1H+ + NADP+ à NADPH
O 3ºe 4º e- realizam o mesmo caminho. A passagem desses 4 elétrons tem um gasto de 4 fótons de 680nm e 4 fótons de 700nm, e a liberação de 8 H+ no lúmen do tilacóide. A cada 3 H+ que a ATP-sintase manda do lúmen para o estroma, é sintetizado 1 ATP:
3H+ à Pi + ADP à ATP
Essa produção de ATP mediante a absorção de luz é denominada de fotofosforilação (FF), sendo a passagem dos 4 e- chamada de FF acíclica ou aberta.
Entretanto para que ocorra uma otimização na produção de energia ocorre uma volta cíclica, gerando a chamada FF cíclica ou fechada (que ocorre concomitantemente a FF acíclica), onde a FD transporta o 3 º e 4º e- novamente para a PQ, fazendo com que eles percorram novamente esse caminho. Com essa volta cíclica de 2 e- antes de reduzir o 2º NADP+ a NADPH, gasta-se mais dois fótons de 700nm, mas gera o acúmulo de mais 2 H+ no lúmen, dando condições de sintetizar o 3º ATP.

Para o melhor entendimento assista o vídeo abaixo:


Link Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=J68k3NblrWs

Autores:Jessé Neves e Luane Bosetto.